sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Publicação em livros

Oi, povo. 

Há algum tempo, fiquei sabendo que publicarei, este ano, contos meus em mais duas antologias da editora Andross. Para quem não sabe, já publiquei em três coletâneas de contos, todas produzidas pela editora Andross: Histórias Envenenadas(2011), Tratado secreto de magia - volume 2(2011) e Mentes Inquietas(2013).

Em todas as experiências que tive com a editora, fiquei muito satisfeita com o resultado e com o processo de construção dos livros também. Todos os organizadores com quem tive contato foram muito atenciosos e fiz vários amigos entre outros escritores participantes das antologias. 


Tenho certeza de que desta vez não será diferente e mal posso esperar para receber meus exemplares de Sem mais, o amor e Baladas Medievais, os dois livros dos quais participarei.  Ambos serão lançados no evento Livros em Pauta, que ocorrerá em São Paulo, no dia 14/10/17. 


 
Os contos que publicarei são resultado da Maratona de Escrita promovida pela editora, da qual participei no começo do ano, a Corujandross. Sinal de que valeu a pena investir nas maratonas... :) 

Enfim, 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Maratona de inverno: como foi?

Olá, pessoas.
A maratona de inverno da qual participei terminou no final de semana passado, mas como tudo anda meio maluco por aqui, não consegui organizar a postagem até agora. Neste segundo semestre, algumas das minhas funções de trabalho se alteraram e também tive mudanças no meu horário, então até acertar os ponteiros fica tudo meio louco.

Nescau, o cão, é minha companheira em todas as maratonas... 

No final das contas, a maratona, que era para ter durado duas semanas, teve seu prazo estendido. Assim, ela iniciou no dia 16/07 e terminou em 05/08.

Li mais em alguns dias, menos em outros, mas me mantive num bom ritmo e confesso que fiquei bem feliz pelas leituras que consegui fazer nas duas primeiras semanas (isso que nem tive férias, fui lendo nos meus intervalos, almoço, ... ). Na última semana, desacelerei um pouco com a volta das aulas, que demandou muito da minha atenção para organizar planejamentos e avaliações.

E não faltou café pra me animar na leitura :)


DESAFIOS CUMPRIDOS 
Como comentei no post anterior, havia alguns desafios de TBR para realizar na maratona. Eu cumpri todos. Os livros lidos para esses desafios foram os seguintes:

1. Ler um livro com a capa azul: A segunda pessoa - Henrique Schneider
2. Ler um livro com menos de 200 páginas: A segunda pessoa - Henrique Schneider
3. Ler um livro que você comprou pela capa: A alcova da morte - Nikelen Witter; A.Z. Cordenonsi; Enéias Tavares
4. Ler um livro escrito por uma mulher: Razão e sentimento - Jane Austen
5. Ler um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata: A segunda pessoa - Henrique Schneider
6. Ler um livro nacional: A alcova da morte - Nikelen Witter; A.Z. Cordenonsi; Enéias Tavares

Mais de um dos livros que li cumpriria os desafios, mas mantive os que tinha determinado anteriormente para isso.

Também participei de um dos desafios criativos da maratona, com uma ajudinha dos meus pais. A intenção era recriar a capa do livro que eu estava lendo, que no momento era Orgulho e preconceito. O resultado foi a foto a seguir.



LEITURAS CONCLUÍDAS
Dentre os livros que já estava lendo, conclui Mulherzinhas (Louisa May Alcott) e a releitura de Orgulho e preconceito (Jane Austen). Também li, do começo ao fim, as duas HQs que havia selecionado: Batman - terra um e Batman - terra um - volume 2.
Além desses, todos os livros do desafio da TBR foram iniciados e concluídos no período da maratona.

LEITURAS NÃO CONCLUÍDAS
Dei continuidade à leitura de Os miseráveis (Victor Hugo), no aplicativo do Kindle, mas avancei pouco. Apesar de estar gostando da leitura, ela é bastante descritiva em algumas partes, então acabo cansando dela.
Li vário contos de Mausoléu (Duda Falcão), que estou lendo desde o começo do ano e que estou gostando muito. Como é um livro de contos, eu costumo ler um texto de vez em quando, então está sendo uma leitura mais longa. Ainda assim, em breve devo concluir a leitura desse volume e começar outro livro de contos do autor.
Também avancei um pouco na leitura d'O livro da literatura e iniciei a leitura de The beauty of the darkness (Mary E. Pearson), último volume das Crônicas de amor e ódio.

CONCLUSÃO
Aproveitei bastante a maratona e cumpri meu objetivo de dar andamento às leituras que estava fazendo. Considerando o tempo que tive disponível para fazer as leituras, fiquei bem surpresa de ter lido tanto!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Maratona de inverno



O que fazer durante as férias de inverno? Ler, é claro. Eu faria isso de qualquer forma, mas como ainda não me cansei de maratonar, decidi participar da Maratona de Inverno proposta pelo canal Geeks Freaks (segue o vídeo do canal, no qual é descrita a maratona). Ela vai ocorrer do dia 16 ao dia 30 julho, então ficará bem dentro das férias escolares por aqui. 



Me cadastrei para o nível intermediário, pois achei o fácil simples demais, mas também não quis exagerar por ser a primeira vez que participo de uma maratona de leitura com mais pessoas ao mesmo tempo. Então, os desafios que tenho para cumprir na minha TBR (listinha de leitura) são:

1. Ler um livro com a capa azul
2. Ler um livro com menos de 200 páginas
3. Ler um livro que você comprou pela capa
4. Ler um livro escrito por uma mulher
5. Ler um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata
6. Ler um livro nacional

Para cumprir os desafios, escolhi os seguintes livros:
Segunda pessoa - Henrique Schneider (cumpre os itens 1,2, 5 e 6)
Razão e sentimento - Jane Austen (cumpre os itens 1 e 4)
Guanabara real - Alcova da morte - Nikelen Witter; A.Z. Cordenonsi; Enéias Tavares  (cumpre os itens 3, 4 e 6)

Pretendo ler também: 
The beauty of the darkness - Mary E. Pearson
Batman - terra um (que é uma releitura, para ler o volume dois)
Batman - terra um - volume 2

E continuar as leituras de:
Os miseráveis - Victor Hugo (que estou lendo no aplicativo do Kindle)
Mausoléu - Duda Falcão (é um livro de contos que iniciei no começo do ano e do qual leio textos esporadicamente)
Mulherzinhas - Louisa May Alcott
Orgulho e preconceito - Jane Austen (estou relendo... )
O livro da literatura



Sim, amiguinhos, eu sei que isso é livro pra caramba, mas serão duas semanas de leitura e alguns dos livros são bem curtinhos, então tenho esperança de terminar algumas das leituras que eu começar, além de concluir algumas das que estão em andamento. O mais importante, no final das contas, é ler muito e avançar algumas páginas nesses livros todos!

Para acompanhar o andamento dos trabalhos, você pode me seguir pelo Instagram e pelo Twitter, pois postarei por lá atualizações do processo.

E vocês, o que vão ler neste inverno? Também farão maratonas ou pegarão mais leve?


quarta-feira, 5 de julho de 2017

A filha do escritor




Machado de Assis, um dos maiores autores da literatura brasileira, nunca teve filhos. Mas... E se tivesse tido uma filha? O livro A filha do escritor, de Gustavo Bernardo, publicado pela Agir, se baseia nessa hipótese.

A história inicia com a chegada de Lívia ao hospital em que trabalha o psiquiatra Joaquim. O médico logo se intriga com ela, pois a moça, muito bonita e tranquila, afirma ser filha do escritor Machado de Assis, mesmo que ele tenha morrido há mais de 100 anos. A paciente atrai todas as atenções do especialista, que passa a estudá-la quase obsessivamente, ao mesmo tempo em que mergulha nas obras de Machado de Assis, na tentativa de desvendar a doença de Lívia. 

A narrativa é feita pelo ponto de vista do psiquiatra, que parece "conversar" com alguém ao longo dos capítulos. Aliás, a forma como o autor fez essa construção se parece muito com uma característica da linguagem machadiana, que é dialogar com o leitor ao longo da escrita... 

Enquanto os encontros entre médico e paciente vão ocorrendo, o mistério ganha novos caminhos, pois cada pista descoberta por Joaquim leva o leitor a pensar em novas possibilidades para o rumo da história. O desfecho, infelizmente, não é tão surpreendente e confesso que, apesar de não ter "desgostado" dele, tive a impressão de que o autor poderia ter explorado de outra forma, talvez até mais fantástica, a trama inusitada que criou. 

O livro tem um bom ritmo, com capítulos rápidos de ler, numa linguagem bem atual e acessível ao leitor. Também é possível refletir sobre o papel da literatura na vida das pessoas e como o "excesso" de literatura poderia afetá-las (não que eu ache que possa existir excesso de literatura, mas enfim...).



Por fim, é bem interessante para quem gostaria de conhecer o trabalho de Machado, dados biográficos do autor e informações sobre sua obra. Pode ser uma excelente leitura para quem vai estudar o autor, ou está se preparando para ler suas obras. Da mesma forma, pode funcionar como uma revisão de informações para quem já leu a obra do autor.  No entanto, o melhor de tudo é que o livro não se prende a passar várias informações de forma enciclopédica para o leitor: os dados sobre Machado vão surgindo dentro da história, de forma bem costurada na trama de Joaquim e Lívia.

Então, se você é um leitor de Machado ou não, fica a indicação desse livro criativo e instigante. A filha do escritor não apenas é um bom livro de mistério, como também acrescenta várias curiosidades culturais ao seu repertório e deixará o leitor mais informado sobre o legado de um dos escritores mais importantes de nossa literatura.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Segundas intenções



Aquela era mais uma noite de trabalho. Carol colocou o avental branco sobre a calça jeans, ajeitou o cabelo num rabo de cavalo e seguiu para o balcão do restaurante, sem empolgação.

O Senhor Olavo, dono do estabelecimento, estava sentado atrás do caixa, contando diligentemente o dinheiro do caixa, como se da noite anterior até aquele momento alguma moedinha pudesse ter evaporado. Carol ignorou-o e organizou os cardápios.

Logo o primeiro cliente chegou para o jantar. A garçonete foi até a mesa e anotou o pedido: a especialidade da casa, lasanha. Enquanto escrevia, notou que o rapaz a observava, mas fingiu não perceber. Estava acostumada a lidar com esse tipo de coisa, de qualquer forma.

Depois de pedir ao cozinheiro que preparasse o prato do moço, voltou ao seu posto confortável atrás do balcão. Olavo foi até ela, lançando uma olhadela ao único cliente.

-Quem é? - Perguntou, como se fosse obrigação dela saber.

Carol deu de ombros.

-Descubra aquilo que for importante. - Olavo colocou as mãos em seus ombros e aproximou o rosto de seu pescoço para dizer isso num sussurro.

Com um calafrio, Carol respirou fundo e assentiu. Seria uma daquelas noites.

A campainha da cozinha avisou que o prato estava feito. Os braços da mulher tremiam enquanto depositava sobre a mesa a lasanha e os molhos.

-Está tudo bem…Carol? - O cliente leu seu crachá.

-Sim, senhor. Não se preocupe. - Declarou, colocando um sorriso amarelo no rosto.

Retirou-se, sentindo o sangue gelado. Não podia mais viver assim, não podia fazer aquilo de novo… Não valia se sujeitar àquele horror por tão pouco. Encolheu-se atrás do balcão, quase desaparecendo.
Um olhar pesado de Olavo caiu sobre ela. Sentiu a cor fugir de seus rosto diante dele. Não havia escolha. Pegou uma flanela e começou a limpar a mesa vizinha a do cliente.

-Você trabalha aqui há muito tempo? - Ele puxou assunto.

-Mais ou menos. - Retrucou e o olhar de Olavo sobre si fez com que encontrasse uma forma de 
emendar a conversa. - Nunca te vi por aqui.

-Não venho muito pra esse lado da cidade. Um amigo meu falou que aqui tinha uma lasanha deliciosa e decidi passar por aqui.

-Ah… Hum… E o senhor está gostando?

-Me chame de Davi, por favor. - Ele corrigiu. - Sim, está tudo uma delícia. Aliás, essa lasanha é de carne ou de porco? Não consegui identificar.

-Segredo do chefe. - Limitou-se a dizer. Não tinha certeza se conseguiria falar de amenidades por tanto tempo sem vomitar.

-Você tem certeza de que está bem? Está muito pálida…

-Estou bem sim. - Levantando o rosto, Carol encarou um impaciente Olavo. Estava com pressa. Queria saber. - Sabe… Depois do meu turno, você poderia me encontrar. Eu acho que isso me faria bem.

O rapaz pareceu um pouco constrangido, mas sorriu. Será que estava imaginando as segundas intenções daquele pedido? 

-Tudo bem.

-Meu turno termina à meia-noite. Você pode me esperar atrás do restaurante. 

-Combinado. - Ele ainda ostentava aquele sorriso. 

Assentindo com a cabeça, ela se afastou, com Olavo ainda vigiando. Não falou nada ao patrão, mas ele soube que conseguira. Ela tinha feito. Sempre acabava se rendendo, porque não havia muita escolha. 

Pouco depois, Davi se despediu. Precisava resolver alguma coisa antes de encontrá-la. Pagou a conta e foi embora. 

Quando ele saiu, a atendente se sentiu mais leve. Continuou cuidando das mesas, serviu mais alguns pratos e por algum tempo os afazeres afastaram seus pensamentos apreensivos do que aconteceria mais tarde. 

Às 23h55min, o restaurante já estava vazio. A mulher foi até o banheiro, retirou o avental, lavou o rosto, encarou-se no espelho. Estava ansiosa, e suas mãos não paravam. Escovou os cabelos, remexeu os brincos. Podia ser que ele nem viesse. Afinal, quem vinha se encontrar com uma pessoa que mal conhecia, no meio da noite? Era provável que Davi tivesse ido embora para nunca mais voltar, pensando que ela era alguma maluca.

No entanto, quando saiu para a rua, ele estava lá. Carol engoliu em seco. Ia acontecer. O rapaz se aproximou cumprimentando-a. 

-Ah… Você pode esperar um minuto? Esqueci uma coisa. - Estava tão nervosa que ele devia ter pensado ser algo muito importante. 

Não esperou resposta para voltar a passar pela porta. Ficou parada ali dentro, sentindo que o momento derradeiro daquela noite chegava junto com os passos de Olavo pela rua. Não queria ver, não podia. 

Deixou-se escorregar até o chão, onde se encolheu com as duas mãos sobre as pálpebras fechadas. Ainda podia ouvir e escutou a exclamação de surpresa e o baque de uma queda rápida, violenta. 
Depois, durante tortuosos instantes, houve o arrastar lento e cadenciado. A porta se abriu e o som continuou mais perto. Os passos, o arrastado. Os passos, o arrastar. Olavo, o morto. Até a cozinha. 

Perdeu-se no seu medo, escondida naquele cantinho escuro. Parecia não ter passado muito tempo quando ouviu a voz de Olavo. 

-Você está dispensada por hoje. - Encarou os olhos cheios de selvageria. - Vejo você amanhã. 

Com um aperto em seu braço, ele reforçava antigas ameaças que ela conhecia. Contar o que o sabia ou fugir eram impossibilidades. Ele a encontraria. 

Na noite seguinte, Carol colocou o avental, pensando que seria só mais uma noite comum. Os clientes esperavam e ela serviu uma fornada fresquinha de lasanhas vinda da cozinha. Não sorria, mas tentava esquecer o que acontecera. Era impossível. 

-Nossa, essa lasanha é mesmo deliciosa. E essa carne… 

***

Este conto foi o resultado de um pequeno desafio que surgiu numa aula de redação numa turma de primeiro ano do Ensino Médio. Eu propus aos meus alunos que criassem uma situação e alguns personagens sobre os quais deviam escrever em diferentes pontos de vista. Surgiu a situação do jantar com lasanha e os três personagens Carol, Olavo e Davi, cujas únicas características eram ser, respectivamente, a garçonete, o dono do restaurante e o cliente. 

Quando os alunos terminaram de escrever e compartilhar suas produções, fui desafiada a escrever minha versão, ou seja, escrever a minha história sobre essa situação e esses personagens. O resultado foi o o texto acima :)