quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Your name



Your Name é um longa de animação japonesa que tem sido bastante comentado nas últimas semanas, devido a sua compra pela Netflix. O anime foi disponibilizado pelo serviço de streaming na última sexta-feira e logo tratei de conferi-lo. 

O filme conta a história de Taki e Mitsuha, dois jovens que vivem em locais diferentes do Japão e que nunca se encontraram pessoalmente, mas misteriosamente começam a trocar de corpo em alguns dias alternados. Inicialmente, a experiência é confundida pelos dois com um sonho muito estranho, mas conforme os episódios se repetem, começam a deixar mensagens um para o outro, entendendo o que se passa. 

Mitshua é uma jovem herdeira de um templo, em uma pequena cidade do interior. Ela vive com a avó e a irmã mais nova, entre o desejo pela modernidade de grandes cidades como Tóquio e a necessidade de manter vivas as tradições do templo, que envolvem a produção de um saquê artesanal de arroz e a tecelagem de fios. 

Taki é um garoto que vive em Tóquio, trabalha em um restaurante e tem uma vida agitada. Ele mora com o pai, mas não se relaciona muito com ele. 



Inicialmente, não fica claro o motivo da troca de corpos experimentada pelos personagens, mas conforme a trama avança e novos detalhes são revelados, começa a haver sentido nesses acontecimentos, que estariam ligados a passagem de um cometa. Tudo o que ocorre entre os personagens leva-os ao desfecho da história. 

É assim, misturando fantasia e romance em boas doses, que o anime consegue cativar quem assiste. Desde o começo da história, ficamos ansiosos pelo encontro dos dois personagens e torcemos para que chegue esse momento. As reviravoltas da história são interessantes e deixam a curiosidade de quem vê ainda mais aflorada.

A forma como a narrativa é construída, apresentando-nos às rotinas dos dois personagens e mostrando como ficam confusos com as trocas, para em seguida introduzir os possíveis motivos e consequências das trocas, torna a história interessante, porque ela se aprofunda aos poucos. Aliás, quando a trama começa, alguns de seus detalhes são imprevisíveis. 



A animação também conta com traços belíssimos, que constroem não apenas os personagens, mas principalmente as belas paisagens em que a trama se desenrola. A caracterização dos personagens é bem marcada pelos seus movimentos e ações, ficando claro quando um está no corpo do outro. 

Além disso, a situação base do anime rende vários momentos engraçados, como quando acordam trocados na primeira vez e precisam lidar com as diferenças de seus corpos. Assim, com vários momentos divertidos entre a trama, o filme ganha uma leveza que ameniza alguns trechos em que o contexto se torna mais complexo (quando descobrimos um pouco do que está por trás do fenômeno que os personagens vivenciam). 

Your name é um anime cativante, com uma história interessante e que tem boas doses de romance, comédia e fantasia. Para quem procura por um longa de animação caprichado e que prenda a sua curiosidade, é uma ótima pedida. 


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Essências


Fonte da imagem: DeviantArt

A tua essência é noite,
Noturnessência.
Tu és escuridão,
Alma e coração mal tens, 
Só a noite te habita, 
Enche-te a palidez da estrela, 
A mais sombria, 
O luar te acompanha. 
Eu, solar, me afasto. 
Nefastessência,
Tereis distâncias
Até que tecerei teu coração 
Com minhas luzes
E seremos, juntos, crepúsculo. 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Memorabilia



Naquela semana seria Finados. Era tradição que naqueles tempos se fosse lembrar dos que tinham partido. Na infância, era uma peregrinação, junto com as vós, o pai e a mãe, um roteiro por cemitérios vários, onde eram mostradas lápides de parentes que ela nunca conhecera.

Agora a roda girara: iam ela e a mãe, vós estavam agora enraizadas pra se visitar. Chegaram no cemitério, não se via gentes. Ainda não era o feriado, estavam adiantadas.

Seguiram pelos corredores cheios de silêncios antigos até o jazigo da vó Wilhelmina. A foto parecia muito ela, lembrava a risada gostosa da vó, comentou com a mãe.

Começaram a limpar o mármore, tiraram as flores velhas. Eram de plástico, mas mesmo essas morrem de cores. Depois se puseram a pintar sobre as letras o nome que descascara. Era preciso que houvesse identidade na pedra.

Arranjou-se as flores novas no vaso. Eram umas hortênsias roxas e azuis, quase flor de festa. E as letras, que ela retocava, eram agora douradas outra vez. Terminado o labor, olhou para a mãe. Teve vontade de chorar, mas tinha vergonha. Bobagens.

Ia levar as flores velhas para o lixo, lá perto do portão, avisou, pegando os ramos de plástico e seguindo devagar, olhando todos aqueles baús de memória amontoados torto modo pelo terreno. Não havia apenas matéria morta ali, eram as lembranças, elas é que sustinham aquele lugar. Muitas daquelas memórias, entretanto, já deviam ter-se perdido pelos anos, porque aqueles que podiam mantê-las vivas se tinham ido.

Secou as lágrimas teimosas. Era triste bonito tudo aquilo. Colocou as flores na lixeira carregada de tinturas velhas. Voltou mais recomposta, foram ver outras pessoas. Os bisavôs que não tinha conhecido vivos, mas que nas palavras dos outros também eram sua recordação.

Era bonito de ver e pensar que havia outras pessoas do seu sangue que viveram e morreram e deixaram sementes para a gente guardar e germinar. Olharam mais uns nomes, tinha pessoas conhecidas, de cuja morte nem sabiam. A vida são brevidades.


Passaram pelo portão, prontas para ir embora, rito cumprido e acabado. Levantando os olhos, lá adiante, numa outra rua, viu passar uma caravana em festa, desfilando música alegre e dança, como o contrário de um cortejo. Um festejo de memórias lhe surgiu dançando também e ela sorriu de leve. Era sinal da vó, sempre de festa? Era quase como se pudesse vê-la lá no meio de toda a bagunça, agradecendo a visita, voltassem logo. Não disse nada. A mãe já tinha entrado no carro e se foram, adentrando outra vez o mundo de existir e deixando para trás o de apenas recordar.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Um pouco de prosa

É engraçado como a gente sempre imagina que em algum dia em nosso futuro próximo teremos algum tipo de tranquilidade, um tempo só pra nos dedicarmos aos nossos projetos, como escrever. Infelizmente, ou felizmente, nunca encontro esse estado de vida utópico, porque estou sempre cheia de projetos e atividades. 

Este ano, sem a faculdade, me vi coberta de novos desafios, tanto na docência, com novas turmas e disciplinas, quanto em outras ocupações e atividades. Agora estou numa fase do ano em que tudo isso está parecendo demais, então tirei um tempinho para sentar aqui e escrever. 

(Maxime, minha nova gatinha de estimação, representando meu estado atual de espírito)


Tenho lido várias coisas legais neste ano, mas ainda não consegui resenhar ou compartilhar metade (até agora, estou contando mais de 50 títulos lidos)... Também estive estudando para a prova de ingresso no mestrado, que prestei no feriado (aguardo o resultado para saber se consegui ou não a vaga, pois a área que quero cursar estava bastante concorrida...). Além disso, fiz um ótimo curso sobre mediação de leitura, promovido pela ONG Cirandar, no qual conheci pessoas maravilhosas e (re)descobri várias técnicas de leitura. 

Sigo (re)encontrando meus caminhos pelo mundo literário, seja na minha profissão, na leitura ou na escrita, e sempre reafirmando meu amor pelo que faço. Por isso, mesmo que agora eu tenha sentado me sentindo um pouquinho esgotada, porque não sou de ferro, sei que logo mais estarei pronta para encarar tudo outra vez, com amor no coração e muita animação. Já planejo novos desafios, porque a minha inquietação me faz feliz mesmo. Não seria eu mesma se não tivesse mil coisas sendo arquitetadas. 

Então, vou beber o meu café, alongar os dedos e talvez escrever um pouco, planejar uma aula ou esquematizar alguma coisa. Espero voltar logo aqui, com mais alguma maratona literária (afinal, semana que vem tem feriado) ou texto novo. Até mais!

***

P.S.: Aproveitando, deixo um recadinho para o pessoal de Porto Alegre e proximidades: no dia 19/11, participarei de uma mesa redonda intitulada As veredas da linguagem de Guimarães Rosa, na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, na sala oeste do Santander Cultural, às 16h30min. Estão todos convidados para esse proseamento poético sobre esse grande escritor da nossa literatura :) 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Maratona literária 24h - Como foi?

Chegou a hora de contabilizar os resultados da minha mais recente maratona. 

Livros para serem lidos na maratona. 


(19/09)


A intenção era começar a ler às 22h. Depois mudei para 22h30min... E no final das contas, iniciei mesmo às 23h. Isso porque tive um dia cheio na escola em que trabalho. Em função da data comemorativa, tivemos um evento de cultura gaúcha, com danças, declamações e canções. Além disso, o fato de ter ostentado um vestidão de prenda e um salto alto durante boa parte do dia cansou minha beleza. Ainda teve uma reunião à noite e, como tive que esperar carona para ir para casa, cheguei ao meu lar bem tarde. 


Bem, mas chega de lamúrias e vamos ao rendimento. Na noite de terça, li pouquinha coisa. Foram cerca de 95 páginas divididas entre os livros As aventuras de Tibicuera (Érico Verissimo), O aprendiz de feiticeiro(Mário Quintana) e A casa das sete mulheres (Letícia Wierzschowski). Depois disso, decidi dormir, porque não tinha mais condições de aproveitar nada de leitura. 

Notem minha cara de acabada, um pouco antes de desistir de ler mais. hehe


(20/09)

Acordei um pouquinho mais descansada na quarta e iniciei o dia com a leitura de mais algumas páginas de O aprendiz de feiticeiro, enquanto tomava meu café da manhã. 



Depois disso, me preparei para um churrasco com amigos, levando, claro, alguns livros junto. Durante o caminho até o local em que faríamos o churrasco, aproveitei para ler e ao longo do dia tirei vários tempinhos para ler um pouco. Nesse meio tempo, li por completo Caminhando na chuva (Charles Kiefer).



Após chegar em casa, foram mais algumas páginas lidas, entre as tarefas que tinha para fazer em casa. Conclui a leitura de As aventuras de Tibicuera e li um dos contos de Treze (Duda Falcão). Em seguida, li mais algumas páginas de A casa das sete mulheres.

Saldo final

No total, foram três leituras iniciadas e concluídas na maratona: 
Caminhando na chuva (Charles Kiefer) - 132 páginas
O aprendiz de feiticeiro (Mário Quintana) - 51 páginas
As aventuras de Tibicuera (Érico Verissimo) - 158 páginas

Além disso, li 27 páginas de Treze (Duda Falcão) e 93 de A casa das sete mulheres (Letícia Wierzschowski). 

Meu único fracassinho foi não ter nem tocado no Meia-noite e vinte (Daniel Galera). 

No total, foram 461 páginas lidas no feriado. E o melhor de tudo é que foram leituras de qualidade, feitas com tranquilidade e sem deixar de me dedicar também a outras coisas, como estar com os meus amigos. Se eu tivesse ficado lendo intermitentemente, talvez não tivesse curtido tanto minhas leituras. Por isso, termino essa pequena maratona bem satisfeita.